| Resumo : |
O óleo de cozinha usado (OCU) representa uma matéria-prima estratégica para a produção de biocombustíveis, como biodiesel e bioquerosene de aviação (SAF), devido ao baixo custo e por não competir com cadeias alimentares ou farmacêuticas. No entanto, o Brasil ainda subutiliza essa fonte, e a produção de SAF enfrenta desafios técnico-econômicos. O OCU deve ser purificado para a produção de biocombustíveis, sendo que o biocarvão ativado produzido a partir de borra de café (BC) tem grande potencial para promover esta purificação. Porém, a literatura carece de informações sobre a aplicação de BC na remoção de contaminantes de OCU. Assim, este estudo investigou a produção de BC para a purificação de OCU (óleo de soja), visando remover ácidos graxos livres (AGL) e outras impurezas geradas por degradação térmica. A BC foi pré-tratada via extração Soxhlet com etanol hidratado (rendimento de 15% m/m de óleo), seguida de carbonização a 600 °C sob atmosfera de N? e ativação química com ZnCl2, H3PO4 ou KOH em três proporções diferentes (1:0,5, 1:1 e 1:2 entre precursor e agente de ativação). Os biocarvões foram caracterizados por SEM, BET, TG/DTG e Número de Iodo (NI). Amostras com área superficial ?400 m²/g (BET) e número de iodo ?600 mg I2/g (ABNT) foram testadas em ensaios de adsorção de AGL em óleo de soja degradado em laboratório (4 mgKOH/g) e caracterizadas por FT-IR, RAMAN, XPS, ponto de carga zero (PCZ) e número de azul de metileno (NAM). A amostra tratada com ZnCl2 na proporção 1:1 de precursor: ativador (BBCDZnCl2 1-1) destacou-se com área superficial de 616 m²/g, número de iodo de 797 mg I?/g e eficiência de remoção de 80 % de AGL em ensaio de adsorção 20 % m/m em óleo degradado. Os dados cinéticos ajustaram-se ao modelo de pseudo-segunda ordem (R² =0,992), e as isotermas seguiram o modelo de Langmuir (R²=995) com q? de 19 mg KOH/g, indicando adsorção química em monocamada. Para comparação, os ensaios foram realizados com carvão ativado comercial (CA-Sigma), apresentando menor efetividade em termos de capacidade adsortiva. Por fim, em ensaio de adsorção de AGL de óleo usado coletado em lanchonete (Mariazinha, ~4 mgKOH/g), o BBCDZnCl2 1-1 removeu 33% dos AGL. Conclui-se que a BC ativada com ZnCl? é uma alternativa viável para o pré-tratamento de OCU, alinhando-se aos princípios de economia circular e gestão de resíduos. |