| Resumo : |
Este estudo avalia o impacto da introdução de aeronaves de propulsão híbrida-elétrica nas emissões do transporte aéreo regional brasileiro, considerando seu potencial para contribuir com os compromissos ambientais do país. Além disso, foi realizada uma extensa revisão da literatura para investigar o impacto do progresso tecnológico no desenvolvimento de aeronaves e sua influência na eficiência energética operacional, dado que o consumo de combustível é o principal fator determinante das emissões. A análise concentra-se em rotas regionais domésticas, consideradas candidatas para as primeiras operações híbridas. O ATR72-600, amplamente utilizado nesse segmento, foi adotado como modelo de referência para um possível retrofit híbrido, assumindo uma configuração híbrida-paralela, reconhecida na literatura como a mais eficiente para esse tipo de aplicação. Utilizando dados operacionais e uma Equação de Bréguet adaptada, estimou-se o grau máximo de hibridização para cada rota, considerando três cenários tecnológicos de baterias: 750 Wh/kg, 1000 Wh/kg e 1500 Wh/kg. Um modelo de regressão linear permitiu correlacionar os consumos teóricos com os dados reais, reduzindo incertezas metodológicas. Os resultados indicam que 149 das 324 rotas analisadas apresentaram viabilidade para algum nível de hibridização, com predominância em trechos curtos (até 700 km) ou menor peso transportado. Rotas mais longas e operadas por aeronaves maiores mantiveram forte dependência de combustível convencional. Embora a operação híbrida tenha demonstrado potencial significativo para reduzir emissões nas rotas regionais, a análise macro revelou impacto pouco expressivo no volume agregado nacional, com reduções estimadas entre 3.88% e 10.77%, dependendo do cenário considerado. Isso se deve à baixa representatividade das rotas aplicáveis à hibridização no perfil de emissões agregado do país. Dessa forma, conclui-se que a introdução de aeronaves híbridas no Brasil não é suficiente, por si só, para atingir metas de descarbonização, devendo ser parte de uma abordagem integrada que combine avanços tecnológicos, otimização da frota e políticas regulatórias de modo que sua incorporação na frota seja parte de um conjunto de medidas estruturais, e não uma solução isolada para a descarbonização do setor aéreo nacional. |